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opinião pessoal, tá?

Onde morar na Austrália

Dois anos morando aqui, uma roadtrip de van de três meses e muita cidade na bagagem. Minha opinião sincera sobre onde eu moraria e onde eu não moraria.

Meu primeiro contato com a Austrália foi Sydney, e eu desci do avião com uma cara de quem tinha caído no lugar errado. Não pelo tamanho da cidade, mas pela quantidade de gente de origem asiática. Eu não fazia ideia, ninguém tinha me contado, e foi a primeira vez na vida que vi tanta gente asiática reunida num lugar só. Ali eu entendi que a Austrália é muito mais multicultural do que qualquer Instagram deixa transparecer.

De lá pra cá, foram dois anos morando por aqui, uma roadtrip de van de 3 meses e muita cidade na bagagem. Esse post é a segunda parte da história: depois de contar como foi cruzar o país de van, agora eu falo das cidades grandes, do que fazer em cada uma e, principalmente, de onde eu moraria e onde não moraria.

Já aviso: é opinião pessoal, e cada pessoa tem um perfil diferente. Também aviso que ainda não fui pra Melbourne e Adelaide, então elas ficam de fora. E um critério meu, pra vocês entenderem de onde eu falo: praia é item obrigatório. Se não tem mar por perto, eu já elimino a cidade.

Sydney: a cidade que me apresentou a Austrália

Sydney é vibe de cidade grande: grandes marcas, muito turista, muita oportunidade de negócio e os maiores artistas do país passando por lá. Tem bar, festa e de tudo um pouco. Em compensação, é uma cidade bem cara, movimentada e com bastante trânsito.

O que fazer em Sydney

  • Sydney Opera House e Harbour Bridge: os cartões-postais, e valem todo o hype. Pôr do sol na Opera House é a minha dica número um.
  • Royal Botanic Garden: um parque gigante colado na baía, ótimo pra piquenique.
  • The Rocks e Darling Harbour: bares, restaurantes e passeio à beira d'água.
  • Chinatown, Newtown, King Street e Kings Cross: pra quem quer noite, comida e agito.
  • Bondi Beach: a praia mais famosa da Austrália. Tem também a caminhada de Bondi até Coogee, que passa por várias praias e piscinas de pedra.
  • Manly: dá pra chegar de balsa saindo de Circular Quay, então o passeio já vale pela travessia.
  • Royal National Park e Ku-ring-gai Chase: pra fugir da cidade sem sair da cidade.
  • Blue Mountains: bate-volta clássico pra ver as Three Sisters.

Dica: chegou em Sydney sem carro? Tranquilo. Balsa, trem e ônibus resolvem a maior parte dos passeios. O transporte público funciona muito bem na Austrália em geral.

Gold Coast: a "Goldie" onde mora meu coração

Sou suspeita pra falar, amo Gold demais. Talvez seja porque tem muito brasileiro. Mas não é só isso: as praias são ótimas pra surf, a vibe é muito boa e o lifestyle é bem fitness. Não à toa, é onde a maioria dos brasileiros está. A cidade tem quase 42 km de praia contínua, então praia é o que não falta.

  • Surfers Paradise: o cartão-postal, com o skyline de prédios e a maior vida noturna da região.
  • Burleigh Heads: uma das praias mais queridas, com surf e trilha no parque nacional em volta.
  • Snapper Rocks e Coolangatta: no extremo sul, com onda famosa mundo afora.
  • Currumbin, Palm Beach, Broadbeach, Main Beach e Tallebudgera: escolha a sua favorita.
  • SkyPoint, no prédio Q1: o ponto mais alto da cidade pra ver a costa inteira.
  • Parques temáticos: Dreamworld, Sea World, Warner Bros. Movie World e Wet'n'Wild.
  • Currumbin Wildlife Sanctuary: pra ver canguru e coala de perto.
  • Lamington National Park: floresta tropical com trilhas e cachoeiras, no hinterland.

Brisbane: cidade completa, mas...

Brisbane é uma cidade grande, com bastante opção de trabalho e escola. Mas eu não moraria lá, e o motivo é simples: não tem praia. Como pra mim praia é obrigatória, a parte favorita de Brisbane é ser pertinho da Gold Coast.

A baía de Moreton Bay protege a cidade das ondas, e por isso o litoral de Brisbane em si não tem aquelas praias de surf que a gente imagina. A "praia" mais famosa da cidade é a artificial do South Bank, a Streets Beach.

Mas nem tudo é defeito. Dá pra fazer bastante coisa:

  • South Bank Parklands: parque às margens do rio, com museus, restaurantes e a roda-gigante.
  • Story Bridge: uma das pontes mais famosas do país, com opção de escalada.
  • Mount Coot-tha: mirante e trilha com vista panorâmica da cidade.
  • Lone Pine Koala Sanctuary: pra fazer carinho em coala.
  • Kangaroo Point Cliffs: passeio à beira do rio e escalada.
  • Ilhas de Moreton Bay (Moreton, Bribie e Stradbroke): é por aqui que entra a Straddie, que foi a nossa primeira casa na roadtrip.

Dica: Brisbane é ótima como base pra explorar, com Gold Coast ao sul e Sunshine Coast ao norte. E é ótima pra quem quer estudar ou quer mais opção de trabalho.

Perth: a cidade mais família e a porta da mineração

Perth é a cidade mais família da Austrália, com uma vibe meio de interior, mesmo não sendo tão pequena. Tem bastante evento e show, a cor da água é lindíssima, as areias são bem brancas e venta bastante. É a capital mais ensolarada do país, com mais de 3.000 horas de sol por ano, e o vento que faz a tarde ficar mais gostosa tem até nome: Fremantle Doctor.

Tem uma coisa que ninguém te conta: você precisa de carro. Por mais que o transporte público seja bom, as coisas são muito longe. Um lugar que fica a 20 minutos de carro vira 2 horas de ônibus.

Em compensação, tem muito lugar pra fazer 4WD e costas lindíssimas. E, claro, muita oportunidade de trabalho FIFO por causa das minas.

A casinha azul do Crawley Edge Boatshed, no rio em Perth
blue boat house · perth
  • Cottesloe Beach: a praia mais famosa da cidade.
  • Scarborough e City Beach: outras clássicas pra pôr do sol e surf.
  • Rottnest Island: a ilha dos quokkas, aqueles bichinhos que parecem sorrir. Dá pra ir de balsa saindo de Perth, Fremantle ou Hillarys, e a ilha não permite carro, então o programa é de bicicleta.
  • Fremantle: centro histórico, mercado desde 1897 e a prisão que é Patrimônio Mundial.
  • Kings Park: um dos maiores parques urbanos do mundo, com vista pra cidade e pro rio.
  • Elizabeth Quay: passeio à beira d'água no centro.
  • Blue Boat House (Crawley Edge Boatshed): a casinha azul no rio, que eu fui conhecer. É fofa, mas é mais pra foto, não tem muito o que fazer por lá. Vá com esse combinado e sem expectativa, que a foto sai linda.
  • Lancelin: a uns 127 km de Perth, famoso pelas dunas de areia, sandboard e 4WD.
  • Pinnacles: bate-volta ou fim de semana de carro.

Perth também é ótimo ponto de partida pra viagens mais longas de carro. Eu fiz Esperance, Margaret River, Busselton e Bluff Knoll e contei tudo nesse outro post.

Quer entender como funciona o trabalho FIFO e como entrar na mineração? Dá uma olhada aqui.

Darwin: dá pra viver, mas eu não moraria

Darwin eu conheci no fim da roadtrip e já contei a história no post anterior: a gente só ia passar, mas acabou ficando pra trabalhar. Por ser área regional, Darwin (assim como qualquer outra região fora das capitais) costuma ter mais oportunidade de visto e é mais fácil conseguir emprego e juntar dinheiro. Isso vale como dica geral pra qualquer cidade regional. Confira sempre as regras atuais de visto antes de planejar.

Mesmo assim, eu não moraria lá, e cada pessoa tem um perfil diferente. Eu não achei uma comunidade de brasileiros muito unida. E tive a sensação de que Darwin é meio terra sem lei: dá pra fazer várias coisas e parece que nada acontece. À noite, precisa de cuidado. Uma vez quebraram o vidro da nossa van jogando pedra, e a gente acredita que foi por causa da placa de Queensland.

  • Mindil Beach Sunset Market: pôr do sol, comida de rua e artesanato, às quintas e domingos na dry season.
  • Crocosaurus Cove: pra ver crocodilo bem de perto, com vidro no meio.
  • Wave Lagoon, no Waterfront: uma piscina de ondas, ótima já que não dá pra entrar no mar.
  • Litchfield National Park: cachoeiras e piscinas naturais, um dos passeios mais famosos. Tem que ter cuidado, porque já teve relato de crocodilo por lá.
  • Kakadu National Park: Patrimônio Mundial, ideal pra passeio de mais de um dia.
  • Adelaide River: cruzeiro pra ver crocodilo pulando pra fora da água.
  • Nightcliff e Fannie Bay: passeio à beira-mar e vida local.

Dica: dry season vai de maio a setembro ou outubro, com sol quase todo dia. Wet season vai de dezembro a março, com calor úmido e tempestade. Se tiver como escolher, vá na dry. E nunca entre na água sem checar: tem crocodilo e, de outubro a maio, box jellyfish, as águas-vivas mortais.

Melbourne e Adelaide: ainda não fui

Não vou opinar sobre o que eu não vivi. Quando eu for, eu volto aqui e atualizo o post.

Como escolher onde morar

Se eu pudesse resumir tudo em critérios, seriam esses:

  • Praia: pra mim, obrigatória. Gold Coast e Perth ganham fácil. Brisbane e Darwin perdem.
  • Trabalho: Sydney, Brisbane e Gold Coast têm muita opção. Perth é a porta da mineração. Cidades regionais, como Darwin, costumam ter mais oportunidade de visto.
  • Custo: Sydney é a mais cara de todas.
  • Comunidade brasileira: Gold Coast e Sydney têm bastante gente. Darwin, na minha experiência, tem menos.
  • Carro: em Perth, sem carro tudo vira uma novela.
  • Clima e vibe: Sydney é cidade grande, Perth é família, Gold é jovem, Darwin é calor.

A cidade que eu escolhi

Comecei esse post contando que meu primeiro choque foi Sydney, cheia de gente e de novidade. Dois anos depois, acabei escolhendo um lugar bem diferente: Perth, com água linda, areia branca e um ritmo mais tranquilo. E olha que eu nunca planejei isso.

A verdade é que a cidade certa muda conforme a fase da sua vida. O importante é saber o que é inegociável pra você, e o resto se ajeita. Pra mim, foi o mar.

Espero que esse post possa te ajudar a escolher a sua.

Gio: no trecho de Sydney você marcou pra adicionar o nome do bairro onde tem mais brasileiro. Tirei a frase por enquanto; me manda o nome que eu recoloco.

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